O que é ser mulher?

O conceito do que é “ser mulher” sempre foi, para mim, ao mesmo tempo simples e complexo, por mais absurdo que isso possa soar. Nunca foi um conceito difícil de assimilar, e isso se deve provavelmente ao fato do mundo a minha volta ter sempre deixado muito claro que eu sou mulher e, consequentemente, ter deixado muito claro também qual era o papel designado a mim e a pessoas como eu na dinâmica social.

Minha mulheridade sempre esteve associada com a minha dor, com o meu silêncio, com a minha falta de espaço social e com os sacrifícios feitos e o sangue derramado por mulheres, décadas e até séculos atrás, para que eu tivesse a chance de estar terminando o Ensino Médio esse ano e cogitando entrar na faculdade e estudar para me tornar uma diplomata; para que eu tivesse pelo menos a chance de ser alguém sem precisar estar associada a um macho, seja por parceria, relacionamento ou como seu objeto de decoração. As coisas ainda não são perfeitas, o glass ceiling (o “teto de vidro” que ainda separa mulheres das posições mais altas no comando de empresas, partidos, nações, etc.) ainda existe e eu, assim como qualquer mulher, tenho a consciência de que se eu quiser me destacar, eu não posso apenas ser “boa”, mas sim “melhor que os melhores”. Mas hoje em dia, nós pelo menos temos uma chance, por mais remota que ela as vezes possa ser.

Atualmente, porém, num contexto onde o feminismo vê suas vertentes cada vez mais divididas num ferrenho debate sobre quem tal movimento deve abraçar e que tipo de comportamento deve ser problematizado, um novo questionamento me ronda a mente: o que é ser mulher?

Como eu já disse antes, desde que eu era grandinha o suficiente para pensar por mim mesma e ter minhas ideias, eu sabia que era mulher. Eu nunca me “senti” mulher, contudo; toda essa história de “se sentir mulher” sempre foi algo nebuloso para mim, algo que nunca fez muito sentido. Eu nunca me “senti” mulher porque o conceito de “ser mulher” não é algo que veio de dentro de mim, não é algo que nasceu comigo nem algo que inerentemente faz parte de mim. Não, a minha associação com a mulheridade é muito mais pragmática e sistemática do que isso: pouco ou nada tem a ver com sentimento de pertencimento de classe, embora hei de confessar que atualmente tal sentimento exista graças a sororidade. Minha associação com a mulheridade, com o “ser mulher”, tem e sempre teve a ver com minha socialização.

Quanto minha mãe fez um ultrassom, provavelmente durante o quinto ou sexto mês de gravidez, ela conta que o médico afirmou algo como: “é uma princessinha!“. Não faço ideia se meus pais ficaram desapontados, pois creio que nenhum deles estaria disposto a comentar algo assim para não “ferir meus sentimentos”, mas eu conheço a história: eu sei que os preparativos eram feitos pensando no primogênito, no filho homem. Eu sequer tinha nome; se fosse do sexo masculino me chamaria Jonas, mas pouco ou tempo nenhum fora aplicado à possibilidade de que eu talvez fosse do sexo feminino. Não culpo meus pais, porém: eles eram dois jovens pais de primeira viagem vivendo em uma sociedade patriarcal, e não há nada mais natural do que o anseio de um filho menino; anseio esse, no caso deles, três vezes frustrado.

Um enxoval amarelo então foi montado. Meu quarto tinha nuvens nas paredes e pensar nele me deixa um tanto nostálgica. Na hora de escolher o nome, havia um critério: queriam um nome bíblico. Novamente, nada inesperado vindo de um casal evangélico. Escolheram então Rachel: o nome da segunda mulher de Jacó; pouco ou nada tinha ver com a história da bíblia em si, e sim com o significado do nome: ovelha. Queriam uma filha mansa, calma, ponderada, e isso foi o que eles me disseram. Não sou mansa, nem calma, e muito menos ponderada. Penso as vezes se isso lhes é um desapontamento.

Quando eu nasci, furaram-me as orelhas; um sofrimento desnecessário imposto a bebês do sexo feminino pela estética; o primeiro de muitos pelos quais elas terão de passar até a vida adulta. Não existe necessidade alguma de colocar pequenos ornamentos de metal nas orelhas de crianças tão pequenas, mas atualmente faz quase parte do ritual de socialização, não faz? Ritual esse, aliás, que pode ter várias faces dependendo da cultura e da sociedade na qual você está imersa, mas por mais discreta e silenciosa que sua ação possa ser, existe e está diretamente conectado com a submissão feminina ao macho.

Quando eu ainda era criança, costuma por a mão na calcinha. Um ato inocente, mas que sempre foi duramente reprimido pela pessoa que sempre tomou conta de mim, minha avó materna. “Tira a mão daí, menina,” dizia ela, “se ficar cutucando vai ficar enorme e cair”. Assustada com a possibilidade de que meus órgão genitais pudessem cair, eu tirava. Outro costume que minha avó tem até hoje, é de deixar as netas rodando a casa só de calcinha; imaginem o quão chocante para mim foi quanto eu fiz 8 anos e comecei a ser obrigada a usar blusa e short no calor infernal da Cidade das Mangueiras porque “eu já estava ficando mocinha e tinha de ter termos”. Mocinha? Aos 8 anos de idade? Nesta idade eu estava na quarta série e mal sabia que diabos significava ser “mocinha”, mas engolia essa história e colocava as roupas.

Mas afinal, o que também é ser mocinha? Eu não tenho certeza do exato significado do termo até hoje, mas assim como ser mulher, ser mocinha também sempre foi algo que esteve associado com meus sacrifícios e minhas dores. Um ano depois, na quinta série, eu comecei a aprender na marra do que mocinhas deveriam fazer, e não foi coincidentemente que aquele foi um dos piores anos de minha vida.

Muita coisa que me aconteceu neste ano eu tranquei nos mais profundos baús de minha memória; tudo é tão traumático que assim como tudo que me acontece de muito ruim desde então, eu inconscientemente deleto de minha mente por não ter estruturas para lidar com os sentimentos avassaladores que me causam as recordações me causam. Do pouco que me permito lembrar, além dos tapas e dos beliscões, foi do dia em que uma lista correu minha sala. Era uma lista chamada “eleja a garota mais feia da sala”, na qual só meninos poderiam votar. Eu, uma menina descabelada, de pele escura, gorda e que não tinha amigos, era alvo fácil e o resultado foi previsível. Uma versão masculina da lista foi feita, mas seus impactos foram tão menores que o garoto eleito mais feio da sala foi também um dos que mais me zoou por causa disso. Esse fato marco o início de minha ansiedade.

Eu cresci, eu emagreci e eu endureci. Nos três anos seguintes, eu fiz amigos, na sua maioria homens. Acreditava que, fazendo amizades masculinas, estaria protegida. Nunca estive, mas a ilusão confortava. Tive somente uma amiga nessa escola; uma moça que passava dias sem dormir e fazia dietas malucas. Estávamos na sexta série; hoje em dia a vejo passar na rua e torço pra que ela não tenha emagrecido tanto graças às tais dietas. Aprendi nessa escola que só em mim eu poderia confiar, e por isso me tornei agressiva. Eu apanhava muito, mas eu batia em dobro. Foi bom me sentir capaz; foi bom enquanto durou. Até que os eventos ainda não contados da minha oitava série, eventos esses que marcaram de vez minha transição precoce para a assustadora maturidade, com apenas 13 anos, chegaram, e eu tive de mudar de escola porque aquele ambiente não me era mais seguro.

Comecei meu ensino médio na mesma escola que hoje estudo e na qual pretendo terminá-lo no final deste ano, um colégio de convivência mais harmoniosa e saudável, um local no qual eu me sinto segura a ponto de não ter de usar os métodos doloridos de proteção que usava no meu antigo colégio e a ponto de me sentir a vontade para enterrar boa parte das memórias do lugar que antes desse veio.

Um evento que aconteceu nesta escola ano passado, porém, é uma das coisas que mais me são marcantes quando o assunto é socialização. Não tenho certeza qual das duas versões está correta, mas vou contar o evento como a mãe da garotinha envolvida contou em seu blog: uma menina que estudava na área de Educação Infantil/Ens. Fundamental I da minha escola chegou em casa chorando, reclamando de dor na “bunda” e não conseguindo sentar. A história que ela contou para sua mãe? a de que um colega, aparentemente um ou dois anos mais velho que ela mas também da Educação Infantil/Ens. Fundamental I, colocara um dedo na bunda dela. A mãe, obviamente, ficou chocada e possessa com a escola; afinal, ela pagava muito caro e a escola não fora capaz de proteger sua filha de uma situação tão agressiva e humilhante. Não sei, realmente, no que essa história deu. Minha escola divulgou uma nota falando que a história era inconclusiva e lá por dentro da escola falou-se que a mãe inventara a história. Isso para mim não faz sentido; não consigo imaginar porque uma mãe iria expor sua filha dessa forma por causa de uma falsa acusação. De qualquer forma, esse incidente me abriu um questionamento: por que um garoto de 8 ou 9 anos de idade fez isso com sua colega? Por que ele se achou tão no direito de fazer o que quiser com o corpo de uma outra pessoa… só porque essa outra pessoa era uma menina? Será que ele nasceu mau-caráter e misógino? Ou será que desde pequeno aprendeu em casa que tinha o direito de tocar garotas como quisessem? Será que viu outros homens fazendo isso? Será que já fez algo parecido e ninguém lhe brigou por causa disso? Será que ele foi incentivado a fazer coisas assim?

Eu não tenho certeza. Eu não tenho certeza que tipo de motivação teve este menino pra fazer algo tão absurdo com uma garota, mas eu tenho certeza que o que determina esse tipo de comportamento misógino e abusivo não são cargas cromossômicas; ninguém nasce um abusador, ninguém nasce preconceituoso. O que não apaga o fato de existirem, SIM, crianças racistas, misóginas, homofóbicas, gordofóbicas… preconceituosas em geral.

E se o feminismo de terceira onda continua batendo na mesma tecla, ignorando a existência e o peso da socialização na criação e no desenvolvimento de um indivíduo, eu gostaria de saber: que tipo de coisa, então, motiva crianças pequenas a já se mostrarem projetos de agressores e de preconceituosos? Se a socialização masculina não existe, o que instiga meninos a se sentirem no direito de violar o corpo das meninas? Se a socialização masculina não existe, então o que instiga garotos a excluírem qualquer outro garoto que não se encaixa no que eles foram ensinados a acreditar que garotos devem ou não devem fazer? Se a socialização masculina não existe, por que então vemos filhos de sexos diferentes serem criados pelos mesmos pais, mas de formas totalmente diferentes, onde o menino desde sempre aprende que pode ter o que quiser, falar o que quiser, se irritar com o que quiser… e a menina aprende que não pode se tocar, não pode falar alto ou ser incisiva, que não pode ser isso ou ser aquilo, que não pode fazer isso ou aquilo ou gostar disso ou daquilo? Por que filhos dos mesmos pais, um menino cresce livre e uma menina cresce não somente presa, mas aprendendo que sua prisão na verdade é uma liberdade escolhida?

Se a socialização feminina não existe, se a mente feminina é comprovadamente um mito e o gênero não é determinado pelo genital, então me digam: o que é ser mulher, afinal? O que “estala” dentro da cabeça de um indivíduo para que ele perceba que na verdade se sente, sim, mulher? Se a socialização feminina não existe ou não tem peso algum, então, de que forma se explica mulheres que foram criadas para odiar cada milímetro de seus corpos? Mulheres que sacrificariam tudo, até a si mesmas, em prol da beleza? Mulheres que não se sentem a vontade de fazer o que querem por que acreditam que homens não gostam de mulheres assim ou assado? Mulheres que se anulam por homens ou se anulam pelo que o patriarcado lhes ensinou que é mais importante do que elas mesmo?

Se a socialização não existe, se ela não é importante para determinar o gênero e a forma com a qual se comportam os indivíduos, então me explique: o que é? Eu lhes questiono novamente: o que é ser mulher, afinal? Eu não sei o que é mulher, eu só sei que sou mulher. Tudo que eu sou está associado ao fato de eu ser mulher. Todas as minhas vivências, todas as minhas opressões, toda a minha forma distorcida de ver o mundo, todos os meus traumas, todos os meus problemas psicológicos, os meus problemas com o meu corpo, a minha baixa auto-estima, meus medos, minha ansiedade e meus problemas alimentares, todas as minhas dúvidas sobre meu futuro… Tudo que eu sou está intrinsecamente ligado com o momento em que o médico contou aos meus pais que eles teriam uma “princesinha”; tudo que eu sou está ligado não com o fato de eu ser mulher, mas com o fato da minha designação como mulher e a forma como eu fui criada, ensinada a ser a mulher que o patriarcado aprova, a mulher certa… A mulher calada, amedrontada, machucada, traumatizada, apagada, anulada, triste e pronta para servir o macho, pronta pra assumir o seu papel social de peso de porta, de apoio moral, de enfeite, de ser anulado que só serve para… servir.

Como eu disse antes, minha mulheridade sempre esteve associada com a minha dor; atualmente, porém, me permito também associá-la com a minha superação: associá-la com a minha luta pela libertação, associá-la com a minha caminhada pelo meu amor próprio, associá-la com a construção de laços com outras mulheres, associá-la com o meu feminismo. Embora correntes feministas avulsas tentem calar essa minha vivência; tanto as partes dela que eu contei quanto às que eu ainda não tenho coragem de revelar… Embora existam correntes feministas que tentem silenciar a visão da pessoa SOCIALIZADA como mulher, da “fêmea” a quem o patriarcado nega humanidade.

“O homem é definido como ser humano e a mulher é definida como fêmea. Quando ela comporta-se como um ser humano ela é acusada de imitar o macho.” – Simone de Beauvoir em “O segundo sexo”

Eu hoje me sinto bem porque eu sei que o feminismo original, o feminismo às raízes, o feminismo radical está aberto, está pronto para acolher-me. Está pronto para ouvir meus relatos de mulher jovem, índia, nortista… de mulher que ama mulheres, de mulher criada pra ser mulher e que tenta se libertar do estigma que ser mulher é, sem logicamente ignorar o fato de que “ser mulher” e ser vista como mulher socialmente sempre teve, tem e sempre terá tudo a ver com a minha opressão.

O feminismo radical é revolucionário porque ele nos arranca nossas amarradas, ele nos deixa falar, nos ouve e nos acolhe. No feminismo liberal eu media palavras, eu tinha medo de falar de mim. Quando individualizamos opressões, quando consideramos que opressões na verdade são “um monte de seres individuais fazendo decisões e escolhas de forma individual, sem consciência social ou de classe”, nós deixamos de estudar as reais motivações por trás disso. E justamente por isso o feminismo liberal é fácil de engolir: porque não exige que se problematize nada. Logo, o feminismo liberal não está pronto pra lidar com as demandas das mulheres, já que não consegue identificar opressões sistemáticas presentes de forma histórica e social. O retorno ao “feminismo de raiz”, o feminismo original, o feminismo radical… este feminismo promete ser a única chance de reverter esse quadro, de realmente revolucionar a forma como mulheres existem e são ensinadas a existir política, econômica e socialmente e de abolir os gêneros, as correntes que prendem os indivíduos desde o nascimento e que os obrigam a anular quem são em prol da “aceitação social”.

Não é ignorando a forma como o gênero existe socialmente, ou criando mais gêneros para englobar mais pessoas, que se luta contra os papéis de gêneros impostos a todos nós desde que nascemos. Não é reforçando o sistema de gênero que se acaba com a opressão que são os gêneros, mas sim acabando com tal sistema de gênero. Mas como se luta contra algo que não se conhece? Como alguém pode lutar contra a imposição de gêneros, lutar contra o que é “ser mulher”, lutar contra a hierarquia que é o gênero se não nos permitem discutir a forma como tal hierarquia, tal imposição acontece no MUNDO REAL, na sociedade em que vivemos? Como lutamos contra a maré que nos engole se sequer temos acesso à discussões sobre isso sem que conceitos abstratos de teorias mais abstratas ainda são nos empurrados goela abaixo, e nos vemos obrigadas a engolir porque senão seremos taxadas de intolerantes e excludentes?

Se o feminismo original, o feminismo que quer nos libertar se tornou um tabu e querer saber sobre ele tornou-se motivo de exclusão dentro do movimento que, bem, foi criado por e para nós… Não é de se admirar que muitas de nós passem anos dentro do movimento, cheias de dúvidas e mais ainda, cheia de medo de tirar tais dúvidas. E ISSO TEM DE ACABAR!

Quando a existência feminina, a socialização feminina e as demandas femininas se tornam tabus dentro do movimento feminista e mulheres se encontram silenciadas demais para ousar duvidar, ousar questionar… Se mostra cada vez mais claro nossa urgente necessidade de voltar às nossas raízes.

Eu não sei o que é ser mulher. Não é um conceito claro nem certo, justamente porque ser mulher envolve tantos padrões absurdos nos quais somos obrigadas a nos encaixar e pelos quais vivemos frustradas, justamente por não conseguirmos neles nos encaixar, que para qualquer mulher torna-se impossível uma única definição. Mas ai é que está: nós não precisamos da conceituação do que é ser mulher, nem de perceber que somos mulheres, porque perceberam isso por nós muito antes de termos a chance de termos a chance de perceber algo, nos impuseram a mulheridade e tudo que ela significa socialmente e nos obrigaram a dançar conforme a dança, anulando nossas diferenças e individualidades em prol da aceitação social.

Toda pessoa socializada como mulher sabe MUITO BEM o que é ser mulher, porque entendemos o ciclo de dor, o sacrifício e superação a qual fomos submetidas graças a esse temo. Sabemos o que é mulher porque sabemos o que uma mulher é obrigada a ser e a sofrer, e pra quem ela é obrigada a se curvar. E o mais importante, sabemos que somos mulheres porque nossas vidas sempre envolveram se encaixar ou superar as imposições; sempre envolveram lutar contra nossas correntes, consciente ou inconscientemente, do jeito que conseguíamos. Sabemos o que é ser mulher porque sofremos e lutamos por e para sermos mulheres, e o direito à memória e ao reconhecimento desse sofrimento e dessa luta ninguém pode nos tirar.

“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam de feminino.” – Simone de Beauvoir

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