Desenhos animados, “fandoms”, pornografia e a naturalizaçao da pedofilia.

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Uma arte de fãs de “Billdip”, um dos “ships” (relacionamentos entre personagens) mais populares de Gravity Falls, envolvendo uma criança de 12 anos e um demônio com (pelo menos) séculos de existência.

Na semana em que a ONU pede proibição de mangás com teor pedófilo no Japão, eu decidi reviver meu blog (parado há pelo menos um ano) para trazer à tona uma questão que muito me preocupa: a relação entre os desenhos animados infantis, os fandoms (grupos de fãs) e a grande produção de arte dos fãs, os fanarts, de teor pornográfico ou pedófilo baseado em desenhos infantis.

Esta é uma questão que me preocupa há bastante tempo. Eu sempre estive bastante envolvida em diversos fandoms, incluindo alguns fandoms de desenhos animados. Eu diariamente vejo como os fanarts, que deveriam existir para demonstrar (artisticamente) sua paixão por um determinado fandom e para compartilhar sua arte com pessoas com interesses em comum, serem usados como forma de propagar racismo, homofobia, lesbofobia e gordofobia. No entanto, a questão mais preocupante é são os fanarts pornográficos, por vezes com teor pedófilo, produzidos em fandoms de obras que são voltadas para o público infantil.

No entanto, antes de realmente começar a abordar este assunto, eu gostaria de elucidar algumas questões:

  1. No decorrer deste texto, eu estarei falando de três fandoms específicos: My Little Pony (MLP), Steven Universe (SU) e Gravity Falls (GF), mas isso não quer dizer que o que eu isso conteça SOMENTE nos fandoms desses desenhos. Eu escolhi falar destes três fandoms especificamente por se tratarem de desenhos voltados para o público infantil que têm grande popularidade entre adultos, o que facilita com que a produção deste material pornográfico ocorra, com a justificativa de ser “voltado especificamente para os fãs adultos”.
  2. A produção de arte pornográfica e de teor pedófilo é feita por “fãs”. Ela, de nenhuma forma, é de responsabilidade dos desenhos e nem de seus criadores. No entanto, como eu irei desenvolver no decorrer do texto, eu atribuo aos criadores e produtores envolvidos no que irei chamar aqui de “caso Zamii” a responsabilidade pelas declarações dúbias e, no caso de Matt Burnett (escritor de Steven Universe), homofóbicas feitas pelos mesmos no twitter.
  3. Este texto não tem nenhum desejo de fazer propaganda contrária aos desenhos. My Little Pony, Steven Universe e Gravity Falls são ótimos desenhos. Estou fazendo este texto com o objetivo principal de trazer a tona (principalmente para mães, pais e cuidadores de crianças) algumas das formas perniciosas com as quais os personagens de desenhos animados infantis favoritos de muitas crianças são usados, no meio virtual, para produção de artes pornográficas há anos, e alertá-los sobre os perigos que vêm com essas questões.

Para início de conversa, o que inicialmente me motivou a escrever este texto foi o “caso Zamii”.

Irei explicar de forma breve o que aconteceu: Zamii é uma artista de 20 anos. Há algum tempo, ela vem sendo duramente criticada por desenhar personagens gordas como magras, produzir artes que pareciam caricaturas raciais, se referir à um desenho de dois garotos de 14 anos como “shota boys” (shotacon é a “versão masculina de lolicon”, ou seja, material sexual/pornográfico onde crianças do sexo masculino são sexualizadas), desenhar uma personagem de 12 anos de forma sexualizada, desenhar dois personagens de 13 anos abraçados e pelados e, entre outras coisas, por também ser amiga de Matthew James Gridley, conhecido na internet como Griddles, um pedófilo de 23 anos preso por porte de pornografia infantil, para quem inclusive fez uma comissão. Aproximadamente dois dias atrás, Zamii tentou se matar, supostamente por conta da perseguição que sofria na internet.

O que motivou esse texto foi quando, para defendê-la, criadores e escritores de desenhos animados começaram a tweetar sobre como “artistas deveriam ser livres para fazer arte como bem quiserem”:

“Deixe as pessoas desenharem os fanarts que quiserem”, diz o tweet de Ian Jones-Quartey, co-produtor de Steven Universe.

“Um desejo bem intensionado de ‘proteger’ os outros criou a primeira geração de jovens que acha que censura é mais legal que [liberdade de] expressão”, diz o tweet de Alex Hirsch, criador de Gravity Falls.

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A questão é: será que as pessoas deveriam ser totalmente livres para desenhar o que quiser?

Considerando que esses tweets vieram de pessoas envolvidas na produção de desenhos animados voltados para crianças, com o agravante de se tratarem de tweets defendendo uma mulher que já produziu material sexualizando crianças e com proximidade com pedófilos condenados, será que não é importante falar sobre como essa “liberdade artística”, que pode ser benéfica em muitos aspectos, também pode ser perigosa por ser a justificativa ideal para que se produza material pornográfico baseado em obras voltadas para o público infantil?

A maioria das pessoas que produzem esse tipo de material justificam que o fazem voltado especificamente para a apreciação dos “fãs adultos”. O problema é que: a internet não oferece nenhum tipo “barreiras” que impeçam crianças e adolescentes de terem contato com esse tipo de material sexualizado e/ou pornográfico. E, mais grave que isso, estas crianças podem esbarrar com material pornográfico envolvendo personagens menores de idades  o que é extremamente perigoso, mesmo que os personagens sejam retratados de forma “aged-up” (ou seja, personagens que são crianças ou adolescentes nos desenhos, são retratados com corpos sexualizados de adultos) nos fanarts.

O perigo está na identificação: crianças assistem desenhos e filmes e buscam identificação com certos personagens. É muito comum, por exemplo, que ao ver um desenho ou um filme, uma criança diga que é certo personagem ou que lhe pergunte qual personagem você é. Crianças buscam identificação com os personagens das obras que consomem inclusive isso é justamente o porquê de falarmos que representatividade é importante, pela necessidade de crianças que hoje não são representadas tenham, também, personagens com os quais se identificar nas obras que consomem. Logo, se uma criança ou até mesmo um adolescente entra em contato com material pornográfico envolvendo os personagens de seus desenhos animados favoritos, isso pode criar nelas a sensação de que isso é normal, inclusive se envolver jovens. Isso normaliza algo que não deveria ser normalizado: pedofilia.

Alex Hirsch de certa forma “debocha”, em seu tweet, do desejo das pessoas de “censurarem” certos tipos de arte com o objetivo de proteger outras pessoas. A questão que fica é: não deveríamos, então, proteger crianças e adolescentes de serem expostos a esse tipo de material? Tentar “censurar” a produção desse tipo de arte pornográfica seria simplesmente “se posicionar contra a liberdade de expressão”, mesmo se tratando de arte baseada em cartoons com os quais as crianças estão sempre em contato e criam laços de identificação?

Não que eu acredite que os envolvidos na produção tenham poder real de impedir que artes pornográficas, sexualizadas, ou que involvam pedofilia ou incesto deixem de ser produzidas. A produção desse tipo de pornografia baseada em obras infantis não é de hoje, não começou com Zamii e nem terminará com Zamii: é um forte fenômeno virtual, quase tão forte quanto outras formas de fazer pornografia. Atrai principalmente pedófilos, por envolver personagens infantis em poses sexualizadas ou em atos eróticos. E, assim como o resto da indústria pornográfica, não acabará totalmente enquanto houverem consumidores.

No entanto, o mínimo que nós esperamos é que os envolvidos na produção destes desenhos assumam uma posição contra isso. Que eles não se posicionem de forma “neutra”, “em cima do muro”. Nem que eles reproduzam discursos dúbios sobre “liberdade artística”, ignorando que suas falas vão ser usadas para justificar pornografia infantil, além de racismo gordofobia e outras questões. A incapacidade destas pessoas de se posicionarem claramente CONTRA quem produz este tipo de “arte”, este tipo de conteúdo deixa claro que essas pessoas podem estar incrivelmente preparadas para trabalhar na produção de cartoons, mas não estão nada preparadas para lidar com seu público alvo, as crianças, e de se posicionarem contra quaisquer atitudes dos fãs adultos que possam vir a expor, machucar ou por em perigo estas crianças e adolescentes.

Dito isso, eu gostaria então de falar sobre como a pornografia, a sexualização infantil e a pedofilia são abordadas de formas diferentes em fandoms diferentes. Começando por My Little Pony, o caso mais escancarado. E quando eu digo “escancarado”, eu quero dizer exatamente isso: não há esforço nenhum em esconder o material pornográfico produzido pelos “bronies”, os fãs homens adultos que majoritariamente estão no fandom com o objetivo de produzir ou consumir esse tipo de pornografia.

Por exemplo, ao procurar por “my little pony” no tumblr, você logo de cara encontra imagens das personagens, pôneis, extremamente sexualizadas. Outras imagens são claramente pornográficas.

Uma imagem onde a personagem Rainbow Dash, uma das principais poneis de My Little Pony, é representada de forma sexualizada. Esta é uma das imagens mais

Uma imagem onde a personagem Rainbow Dash, uma das principais poneis de My Little Pony, é representada de forma sexualizada. Esta é uma das imagens mais “leves” encontradas entre os fanarts de My Little Pony que são postados em diversas redes sociais. A maioria deles é explicitamente pornográfica.

Pela internet, ainda existem diversos vídeos e jogos pornográficos baseados em My Little Pony. Alguns são produzidos por fãs; outros, são claramente produzidos por sites pornôs com o objetivo de serem consumidos por estes fãs. Na maioria deles, as personagens (que em grande parte do desenho são pôneis) são desenhadas com seus antropomórfica, com seus rostos originais mas com corpos femininos extremamente sexualizados. Pessoas que têm fetiche com este tipo de desenho são por vezes conhecidas na internet como “furries”.

A questão principal com relação ao fandom de My Little Pony é a pornografia explícita, além da zoofilia. No entanto, em muitos outros fandoms, a pornografia é produzida de forma mais discreta. Você pode encontrar pornografia de My Little Pony em rápidas pesquisas no google, por ser produzida em quantidade absurda, a pornografia em outros fandoms, embora também bastante presente, costuma chamar menos atenção de quem não está diretamente envolvido com aquele fandom

Isso não quer dizer que crianças e adolescentes não possam ter acesso a esse tipo de conteúdo nocivo, mesmo que por acidente na verdade, isso só significa que a produção deste tipo de material pornográfico, além de por vezes pedófilo e incestuoso, é discreta o suficiente para que sua existência passe despercebida pela maioria dos pais e responsáveis. É esse o caso de Gravity Falls e Steven Universe.

[ATENÇÃO: SPOILERS]

Steven Universe é um desenho que eu considero incrível. Tem personagens e história interessantes e bem desenvolvidas, além de uma maravilhosa representação racial e representação lésbica. É um desenho que eu comecei a assistir com minha irmã e, confesso, provavelmente minha coisa favorita de se assistir atualmente. Eu já indiquei este desenho para muitos amigos e amigas. No entanto, como nem tudo são flores, o fandom de Steven Universe, no qual o “caso Zamii” se iniciou, tem três sérios problemas: o racismo, a lesbofobia e a pedofilia. Como o foco desse post é expor principalmente a forma como é produzida a pornografia nos fandoms de desenhos animados e a forma como a pedofilia coexiste nesse meio, não vou desenvolver sobre as questões do racismo e da lesbofobia mas achei importante destacar que ela existe e que também é um forte problema nesse fandom. Quem sabe, num futuro breve, eu desenvolva sobre esse assunto.

A pedofilia no fandom de Steven Universe é discreta, mas começou a ganhar força com a segunda temporada do desenho. A questão é que: existem hoje pelo menos três “grandes” ships (relacionamentos) dentro do fandom de Steven Universe que envolvem personagens que são crianças com personagens adultos, séculoss mais velhos que eles (literalmente).

O primeiro exemplo que irei citar é do ship denominado “Ponnie”. No episódio Sworn to the Sword, a amiga de Steven, Connie, e uma de suas figuras maternas, Pearl, treinam juntas.

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No entanto, disso que no máximo deveria ser visto como uma relação entre uma professora que tem pelo menos 5000 anos e sua aluna, que sequer tem 13 anos, acabou sendo encarado por algumas pessoas de uma forma sexual.

Um fanart

Um fanart “Ponnie”

Veja bem, eu acho que nem preciso falar o que há de errado em shippar um relacionamento de uma alien de mais de 5000 anos de idade com uma garota d no máximo 12, 13 anos. Especialmente quando a personagem adulta claramente demonstrou interesse romântico por pelo menos três outras personagens do desenho, todas também adultas, com quem poderia ter relacionamentos saudáveis. No entanto, algumas pessoas preferiram distorcer sua relação com sua aluna e produzir arte de teor pedófilo

Outro caso, ainda mais grave, é o do ship denominado “Pearlven”. Ele envolve o personagem principal, Steven Universe, e Pearl. Como foi mencionado anteriormente, Pearl é uma das figuras maternas de Steven. Ela cuida dele juntamente com Garnet e Amethyst. Ela lutou na guerra juntamente com a mãe de Steven, Rose Quartz, por quem foi e ainda é claramente apaixonada.

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Novamente, o que deveria ser encarado como a relação de mãe e filho, que é a relação que Steven tem com suas três responsáveis, foi distorcido e encarado de maneira sexual por pedófilos. Um agravante nesse caso é a lesbofobia: Pearl é claramente representada como lésbica desde a primeira temporada do desenho. É incrível que algumas pessoas prefiram distorcer a relação maternal que Pearl tem para com Steven do que pareá-la com uma das muitas mulheres adultas do desenho.

Por fim, ainda há “Stevidot”. Stevidot é um ship relativamente novo, envolvendo Steven Universe e Peridot, uma alien com pelo menos séculos de existência, que veio para a terra para cumprir uma missão que falhou. Nos últimos episódios, Steven e Peridot vêm desenvolvendo uma espécie de amizade. Pelo menos até o momento, essa amizade está primordialmente baseada na necessidade de cooperação para evitar que a terra seja destruída. No entanto, por aparentar ser um “arco de redenção” (onde um vilão recebe a chance de se redimir), é de se esperar que a amizade se torne genuína.

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Novamente, uma amizade que está ainda surgindo entre uma criança de 12, 13 anos e uma alien com pelo menos centenas de anos vem sendo distorcida por alguns fãs e sendo encarada como algo romântico/sexual. Algumas artes para este ship também vêm sendo feitas, como essa:

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Um fanart “Stevidot”

É importante destacar que, mesmo quando artistas transformam crianças em adultos, “aumentando suas idades” ou simplesmente lhes dando corpos mais desenvolvidos/sexualizados, o problema ainda persiste. Independente do quão desenvolvido está o corpo do personagem naquela arte específica, não muda o fato de que existem adultos que enxergam possibilidade de envolvimento romântico ou sexual entre um personagem que sequer chegou a adolescência e personagens adultos, por vezes séculos ou milênios mais velhos que estas crianças. E o interesse por parte desses adultos é tamanho que se prefere usar a arte para “aumentar a idade da criança” do que simplesmente respeitar personagens crianças, que querendo ou não representam crianças reais e provocam nelas identificação, o suficiente para não sentir interesse em vê-los envolvidos com personagens adultos?

Steven Universe também tem um problema sério com pornografia. Baseando-se nos antigos desenhos da criadora de Steven Universe, Rebecca Sugar, onde ela retrata dois personagens do desenho Du, Dudu e Edu tendo relações sexuais, e ignorando totalmente a segurança das crianças (que são o público alvo do desenho e podem acabar sendo expostas a esse tipo de conteúdo pornográfico). Artes que variam de gems sem roupa até “desenhos brutais de bondage são produzidos e podem ser encontrados por entre as tags de Steven Universe.

Um dos exemplos mais pontuais é “Japis”, um ship problemático entre Lapiz Lazuli e Jasper, duas gems que acabam fundidas motivadas por ódio e desejo de vingança. Não há necessidade de tentar explicar a dinâmica dessas duas; a própria Garnet já o fez:

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“Eita. Elas são terríveis uma para a outra.”

No entanto, boa parte do fandom de Steven Universe parece fascinado com este “relacionamento” disfuncional que elas têm. Muitos parecem extremamente fascinados com a ideia de “sexo envolvendo bondage” ou “sexo como punição” envolvendo estas duas personagens, como este:

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Problemas assim também são recorrentes no fandom de Gravity Falls.

Um dos ships mais populares deste desenho se chama “Billdip”. Ele consiste em Dipper, um dos personagens principais, um menino de 12 anos, e Bill Cipher, um demônio dos sonhos. Bill não tem “idade”, não como os humanos, pelo menos. Porém, ele tinha entrado em contato com Stanford Pines, um dos tios avôs de Dipper e Mabel, muitas décadas antes dos gêmeos nascerem.

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Muitas vezes, como forma de tentar deixar este ship menos grotesco, fãs da ideia de desenhar personagens crianças “aged-up”, como foi explicado anteriormente. Alguns artistas também desenham Bill com uma “forma humana”.

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Um fanart “Billdip” onde Bill Cipher é representado com uma “forma humana”.

O mesmo acontece num ship chamado “Mabill”, um ship que envolve Mabel, uma dos personagens principais, irmã gêmea de Dipper, e Bill Cipher. Novamente: frequentemente, fãs aumentam a idade de Mabel ou dão uma forma humana a Bill, como forma de tentar se livrar das críticas.

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Mesmo sendo bastante menos popular, a facilidade de encontrar arte pornográfica de Mabill é muito maior. A tag no tumblr está repleta de desenhos bastante explícitos, mesmo se tratando de um ship envolvendo uma menina de 12 anos. Isso provavelmente se deve ao fato da maior sexualização de jovens meninas; afinal, não é a toa que “lolicon” é um fenômeno muito mais conhecido e procurado do que “shotacon”.

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[FIM DOS SPOILERS]

Além do perigo de exposição de crianças e adolescentes a esse tipo de material pornográfico que é produzido pelos fandoms destes desenhos, existe um outro perigo, ainda menos discutido: o perigo de que pedófilos entrem nesses espaços virtuais e procurem usar esses desenhos como “interesse em comum” para poder conversar com crianças e adolescentes que acompanham e gostam desses desenhos. Esses pedófilos já têm espaço livre para produzir e consumir arte de teor pedófilo e pornográfico dentro dos “fandoms”, graças à forma como muitas pessoas que fazem parte dos fandoms simplesmente se recusarem a discutir um assunto de tamanha urgência por acreditarem na “liberdade de expressão”, “liberdade artística” ou até na “liberdade de shippar quem quiser”. O que os impede de usar esse mesmos espaços, nos quais eles têm liberdade, para se aproximar de jovens? De fazer vítimas? É como se eles fossem “unir o útil ao agradável” – ter a liberdade de consumir arte pedófila e, que sabe, entrar em contato com crianças e adolescentes reais, usando do mesmo pretexto, de um desenho.

Entenda, eu também adoraria viver num mundo onde fosse seguro advogar pela liberdade artística sem ter de me preocupar com adultos usando isso como justificativa para produzir pornografia infantil mas esse não é o nosso caso. Nós vivemos em um mundo onde simplesmente advogar pela liberdade artística total, sem nenhum tipo de regra ou freio, é indiretamente abrir brechas para que pessoas sintam-se livres par produzir material pedófilo, racista, misógino, homofóbico, entre outras questões.

E já que vivemos nesse mundo, acredito que seja essencial EXIGIR de quem produz esses desenhos, os desenhos que são usados como base para produzir arte pornográfica, arte que incita a pedofilia, arte racista, etc, que SE POSICIONE CLARAMENTE CONTRA ISSO!

Não com o objetivo de acabar com a produção deste tipo de material, pois esperar isso é utópico a arte pornográfica e a pornografia infantil, assim como as outras formas de pornografia, vão existir enquanto existir gente que consuma isso, gente que lucre com isso, e um sistema inteiro para apoiar esse tipo de violência. Não são os produtores que vão por fim nisso mas é essencial que essas pessoas não tentem ser “neutras” nesse aspecto. É essencial que criadores, produtores, escritores e animadores entendam que, se eles trabalham produzindo obras que serão consumidas por crianças, o mínimo esperado é que eles se posicionem contra qualquer uso indevido de sua arte, mesmo que somente como base para outras artes, para produzir material que pode ser nocivo ou violento para crianças.

Mais importante do que “liberdade artística” é o direito de jovens poderem aproveitar e pesquisar sobre desenhos animados feitos para elas sem correrem risco de esbarrarem com materiais pornográficos e nocivos.

Mais importante do que “liberdade de shippar quem quiser” é respeitar crianças e adolescentes o suficiente para não fetichizar relações pedófilas.

Mais importante do que “liberdade de expressão”, é a segurança das crianças e dos adolescentes.

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